Textos
Texto: O que vale?
O quanto você já se entregou, numa total certeza de que era
isso o correto a fazer?
Eu me entreguei duas vezes. A primeira vez, deixei-me levar pelo ardor da paixão, achava que o mundo era com arco-íris e unicórnio, mas como qualquer jovem de 18 anos, levei um k.o no final da história com dois pés na bunda, porque um só, seria pouco e de combo veio uma traição. Segui, firme, talvez nem tão firme assim, apenas adiante.
Eu me entreguei duas vezes. A primeira vez, deixei-me levar pelo ardor da paixão, achava que o mundo era com arco-íris e unicórnio, mas como qualquer jovem de 18 anos, levei um k.o no final da história com dois pés na bunda, porque um só, seria pouco e de combo veio uma traição. Segui, firme, talvez nem tão firme assim, apenas adiante.
A segunda vez que me entreguei, ainda estou vivenciando ela,
esses dias, assistindo uma netflixzinha, ouvi a seguinte frase “você não se
acha muito novo, pra ter tudo o que já tem?”. Colocaremos na ponta do lápis, ou
melhor, na ponta das teclas o que eu tenho:
Moro sem os meus pais e com o meu namorado. Isso eu tenho,
por enquanto, estou cursando a faculdade então, ainda não tenho, estou buscando
ter, deu para seguir o raciocínio? Espero que sim.
Sim, foi nessa tênue de pensamento sobre amor e conquistas
que me vi vagando. Com 20 anos, moro com meu namorado, sou feliz no
relacionamento e adotamos um gato. E é difícil as pessoas entenderem que eu tô feliz
e sou feliz.
Já me questionaram se eu não sentia como se tivesse “pulado”
uma fase, pois comecei a namorar com 19 anos e me mudei no mesmo ano, ou seja,
pra sociedade, ou a massa dela, é extremamente esquisito e coisa de gente
antiga fazer isso. (Não vale nem o desgaste em ressaltar que um casal gay
morando junto, ainda choca a sociedade.) Não, de maneira alguma, de jeito algum
ou de nenhuma forma. Se tem uma coisa que eu não me arrependo e de me deixar
ser amado e amar.
Idade é um detalhe, que muitas vezes (depois dos 18 anos)
não vale mais a pena ficar contando nos dedos o que fazemos ou não e morar com
meu namorado foi uma opção. Tem coisa melhor do que abrir os olhos, ou ir
deitar no aconchego de um abraço? Claro, as vezes rola de nenhum dos dois ficar
tão próximo assim, temos compromissos e responsabilidades (inclusive pagar
contas antes do vencimento só a deusa na causa), mas vocês me entenderam né?
Eu me descobri, a partir do momento em que sai de casa,
tanto os defeitos quanto as qualidades, não sabia que eu era tão caseiro e dono
de casa. Você acaba se inventando, se conhecendo, pois não tem os pais para
tentar te por numa linha que muitas vezes não dá pra seguir e meu namoro, é
incrível, me deixa ser o que sou ou o que eu quiser ser, não tem aquele “relacionamento
abusivo”, longe disso.
Morar com alguém que você ama, marido, esposa, namorado é se
entregar todo dia constantemente, é perdoar um errinho ali, um perdãozinho
aqui, um sorriso lá. É incansavelmente deixar as coisas seguirem e se adaptar a
elas, não adianta tentar ter controle de certas situações, só vai acontecer. A
todos que tem dúvida se casais novos, que moram junto antes do casamento, ou
que não pretendem casar, ou que resolveram juntar as “mudinhas” de roupas, ou
que tiveram a opção de juntar, sem assinar um papel, conseguem ser feliz
(claro, se houver amor entre ambos e total respeito) e por mim, não sentem que
estão atropelando “fases” que um dia, alguém definiu que era obrigatório
seguir.

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