Conto
Serial Killer
Conto: Do quarto para a garagem
Segunda parte do conto três cadeiras, três vítimas.
Dia de sol, mais ou menos umas onze da manhã, a claridade
que entrava pela janela no quarto, queimava meu rosto, mais dez minutos daquele
jeito e ficaria queimado. Levantei, fui ao banheiro, abri a torneira e comecei
a lavar meu rosto, peguei minha escova vermelha e a pasta de dente que estava
no fim e escovei os dentes. Enquanto fazia movimentos circulares com as mãos,
lembrava das três mortes de ontem. Foi se esboçando um leve sorriso no rosto.
Sentei na cama, ela rangia toda vez que sentava em uma das suas
beiradas, mas não era incomodo, ou seja, não precisava trocar, dava para o
gasto ainda, fiquei pensando se conseguiria pegar Rogério e qual plano eu
poderia fazer, para trazer ele aqui em casa, dessa vez, o galpão não poderia
ser útil, afinal deve ter uma quantidade enorme de polícia e o local todo
queimado.
Rogério era alto, malhado, dos olhos claros como o céu e
cabelo preto. Ele era do tipo que todo mundo olhava quando passava, seu perfume
exalava um cheiro amadeirado com cítrico, eu poderia imaginar um limão
siciliano misturado com carvalho, mas logo eu iria mudar esse seu aroma
natural.
Era quase hora do almoço, abri o guarda roupa, tinha
camisetas com tons de preto e cinza, calça branca e bege. Escolhi a camiseta
preta lisa e a calça bege, minha mãe sempre dizia o branco suja muito fácil e
eu não estava com tempo de ficar lavando roupa.
Fui em direção a porta, peguei meu celular que estava do
lado carregando, não havia nenhuma ligação ou mensagem, o que era ótimo, não
precisava dar atenção para ninguém. Sai da casa, tranquei a porta e fui em
direção a calçada, me virei para ver o número e a rua, eu estava na nove de
julho, andei algumas quadras mais para a frente e chamei um táxi.
Resolvi ir para uma lanchonete no centro da cidade,
precisava comer alguma coisa, fui na minha lanchonete preferida o Walerios.
Eles serviam lanches no prato em pleno almoço, o que eu achava delicioso, pedi
um chesseburguer com batata frita e refrigerante. Como eu era da casa, todos me
conheciam ali, em menos de dez minutos meu lanche estava sob a mesa.
Sem pensar fui comendo, o sabor era incrível, como sempre,
dava pra sentir o quentinho do hambúrguer feito na chapa que havia acabado de
fritar uma calabresa, isso dava um sabor especial aquela lanchonete, a falta de
higiene com a chapa de montar lanches.
Terminando meu almoço, fui pagar, a senhora Carvalho como
sempre muito simpática resolveu me dar um desconto.
- Você de novo? Quando vai parar de comer nessa espelunca e se deliciar com algo que não vá te matar de tanta gordura?
- Você de novo? Quando vai parar de comer nessa espelunca e se deliciar com algo que não vá te matar de tanta gordura?
- Senhora, como sempre simpática, eu adoro aqui, tenho boas
memórias do lugar, então, me deixe morrer feliz. – Dei um sorriso
Paguei e sai da lanchonete, Rogério trabalhava a algumas
quadras dali, ele era borracheiro, mas eu não tinha um carro, pra pedir seus
serviços. Eu precisaria pensar em outro plano. Fui andando lentamente,
procurando dentre os meus devaneios achar uma saída para o meu problema. Foi
quando pensei, eu não tenho um carro, mas ele não precisa saber disso, afinal,
ele não me conhece, ainda, como uma risada maliciosa, me senti aliviado pela
ideia.
Talvez eu voltasse andando para a casa que eu estava, o táxi
deu vinte reais, não seria tão longe assim, coloquei no GPS do celular o nome
da rua e o número da casa, apareceu que em quinze minutos eu estaria lá, fui
andando.
O sol estava muito quente, sentia ele invadir minha camiseta
preta, me fazendo transpirar, mas isso não me manteve quieto e sim com mais
ideias na cabeça, parecia que meus devaneios borbulhavam junto com os raios de
sol.
Cheguei na casa, era verde palha, com duas arvores na
entrada, era um tipo de casa que eu não queria morar, mas, no momento eu só
tinha aquilo, então, me contentei com isso. Abri a porta e fui entrando, passei
pela sala, cozinha, até chegar no quarto em que tinha uma cama de casal e do
lado um banheiro, era uma suíte. Não tinha percebido esse cômodo, cheguei tão
exausto do dia anterior que a primeira cama que vi, acabei deitando e dormindo.
Olhei pela janela e vi que tinha uma sala de dispensa na
garagem, o que seria perfeito. Sai da casa e entrei no pequeno cômodo de fora.
Observei que não havia janela, mas tinha muitas ferramentas, álcool, cera de
carro, querosene, alguns produtos de jardinagem e uma caixa de pescaria com
anzol, varas de pesca e uma máquina de afiar faca.
Peguei o cerrote, querosene, tesoura de jardinagem e anzol, para
mim estava perfeito, comecei a ficar ansioso, imaginava o cheiro de sangue
invadindo o ambiente, meu olhos enxergavam tudo vermelho, chegava me dar tesão
de pensar em abrir um corpo novo. Fui em direção a porta e vi que ao lado tinha
veneno de rato, resolvi pegar, talvez pudesse ajudar em alguma coisa.
Voltei para a casa, liguei a televisão da sala em um canal
que estava passando videoclipes de música, sentei no sofá e fui procurar o
lugar que Rogério trabalhava na internet do meu celular. Achei facilmente, pelo
nome da rua ser o mesmo do Walerios, facilitou minha busca, salvei o número de
telefone de lá na minha agenda.
Era as três da tarde, nunca havia feito nada a tarde, mas
sempre tem a primeira vez e porquê não agora?
- Borracharia Fonseca, posso ajudar?
- Boa tarde, eu estou com um problema no meu carro, aqui na nove de julho e precisaria que vocês viessem dar uma olhada.
- Boa tarde, eu estou com um problema no meu carro, aqui na nove de julho e precisaria que vocês viessem dar uma olhada.
- Senhor, qual a marca do seu carro?
- É... – Respirei e pensei em algo convencional – é um gol.
- Tudo bem, estamos indo.
- Ah, se pudesse poderia falar para o Rogério vir? Ele já
deu uma olhada uma vez, acho que saberá qual é o problema - escutei de fundo
ele falando algo para alguém.
- Ele irá te atender, você precisa de guincho?
Pensei por alguns segundos, engoli seco, fiquei em dúvida
naquele momento mas respondi correndo, pois, talvez com guincho, eu tivesse
mais tempo antes de alguém procurar a demora do Rogério para voltar a borracharia.
- Sim, pode mandar, é sempre bom.
- Tudo bem, o pagamento vai ser em dinheiro ou cartão?
- Tudo bem, o pagamento vai ser em dinheiro ou cartão?
- Em dinheiro.
- Mais ou menos uns 10 minutos, ele estará ai.
- Obrigado!
Desliguei o telefone, respirei fundo e fui até o quarto.
Deixei os equipamentos que peguei em cima da cama. Voltei até a despensa para
procurar uma luva, seria ótimo cobrir meus rastros após a execução e por sorte
achei, uma luva amarela grossa de borracha, parecia com aquelas que vendia em
mercado para usar produtos químicos.
Quando estou retornando para dentro da casa, escuto a
campainha, coloca a luva em cima do sofá e atendo a porta, era Rogério.
- Oi, sou Rogério, o borracheiro que você pediu.
- Ah sim, boa tarde.
- Ah sim, boa tarde.
- Então eu vim para ver o carro, mas parece que ele não está
na frente da sua casa, posso ir na garagem vê-lo?
- Então é que... – antes que eu pudesse terminar a frase,
fui interrompido.
- Se isso for algum tipo de brincadeira da Ana, pode falar
que ela irá pagar meu horário de trabalho.
- Ana? Quem?
- Minha namorada, olha vamos logo que eu estou cheio de
serviço e o cara do guincho irá chegar daqui a pouco.
- Vamos lá na garagem ele está lá.
Mostrei onde era a garagem com a mão para ele. Rogério foi
andando em direção a porta e eu fui atrás, disfarçadamente peguei a luva na
cozinha e uma faca branca, que estava ali do lado, dava para ver o meu reflexo
nela, estava nova, nunca usada, até agora. Abri a porta e mostrei a garagem para
ele.
- Mas que diabos, cadê o car....
Antes do término da frase enfiei a faca em sua coxa e
coloquei uma das luvas em sua boca, dava para ouvir o abafado da sua voz
tentando sair pela sua boca, mas sem sucesso. Olhei para os lados e vi uma fita
preta grossa em cima de um balcão, arrastei ele pelo cabelo até perto da fita,
tirei a luva da sua boca e amarrei a fita preta em sua boca, mãos e pés.
- É melhor você ficar quietinho, eu já cuidei de três ontem
de uma vez, não me façar perder a paciência.
Voltei para dentro da casa, fui até o quarto, pequei os
equipamentos que estava em cima da cama e droga, tive que mudar de cenário,
estava tudo pronto para ser aqui no quarto, mas não tem problema, desconto essa
mudança nele. Passei pela sala para aumentar o volume da televisão, quando a
campainha toca, olhei pela janela, puxando um pedaço da cortina verde amarelada
e era o guincho. Pensei, abrir ou não a porta? As batidas na porta começaram, então resolvi atender.
- Boa tarde, Rogério solicitou um guincho aqui, ele está? – Ele
olhou fixamente para o meu cerrote.
- Sim, pode entrar, ele está na garagem. –Tentei disfarçar o clima constrangedor- isso aqui foi o Rogério que pediu para eu pegar.
- Sim, pode entrar, ele está na garagem. –Tentei disfarçar o clima constrangedor- isso aqui foi o Rogério que pediu para eu pegar.
Vi que seu nome no crachá era Diego, um uniforme azul escuro,
gordo, mais ou menos um metro e meio de altura, assim que ele entrou na casa, fechei
a porta com o pé bem devagar e dei um soco em suas costas, fazendo-o cair ao
chão e sentei em suas costas.
- Hoje não era seu dia Diego.
- Dia do que? O que eu fiz? Por favor não me mata.
- Dia do que? O que eu fiz? Por favor não me mata.
Se debatendo para levantar, Diego me tirou de cima dele e
virou de barriga pra cima, rapidamente com o cerrote em minhas mãos enfiei em
sua barriga e fiz movimentos de vai-e-vem, fazendo com que ele urrasse de dor.
- Para, por favor. – Caiu lágrimas de seu rosto
- Agora já foi, eu já estou dentro de você, eu nunca paro depois que começo.
- Agora já foi, eu já estou dentro de você, eu nunca paro depois que começo.
Comecei a sentir que estava passando dos tecidos do seu
corpo, chegando até o intestino e estômago, então parei e fui direto pra sua
garganta, ela pulsava, como se me chamasse, enfiei de uma vez e esguichou
sangue para os lados, parecia que eu estava tomando um banho, da melhor maneira
que eu podia... de sangue.
Sai de cima do Diego, ele já estava morto. Com o cerrote na
mão, fui em direção a garagem, peguei o querosene, passei pela porta e vi
Rogério se arrastando pelo chão. Conseguiu sair da garagem, parecendo uma
minhoca, e chegou até um pedaço do jardim.
- Eu mandei você ficar quieto!
Estava começando a passar do prazer para irritação, com
minha roupa cheia de sangue, ele arregalou os olhos, fui em sua direção e
agachei.
- Criança que não obedece, sofre.
Tirei a faca da sua coxa e enfiei na outra, olhando em seus
olhos, com a boca esboçando um sorriso. Arrastei-o pelas pernas, até chegar na
garagem e fechei a porta. Coloquei o cerrote, querosene e tesoura de jardinagem
no balcão.
- Eu vou tirar a fita da sua boca, nem pense em gritar.
Tirei a fita, coloquei as luvas nas minhas mãos e comecei
meu questionário.
- Quantos anos você tem Rogério?
- Vin... Vinte e três.
- Vin... Vinte e três.
- De onde você é, meu querido?
- Sou de Joinville, mas estou estudando aqui na cidade.
- Muito bom, garoto esforçado e pelo visto você malha
também.
- Eu faço Educação Física... por que você... – antes que
terminasse a frase dei um tapa na sua cara que fez um estralo muito alto, até
pensei que tinha deslocado seu maxilar.
- Quem faz as perguntas sou eu.... Me conta a história da
Ana... fiquei sabendo que você tentou algo a mais com ela, numa festa, estou
certo?
- Isso é coisa da Ana? Eu vou matar aquela vadia! – Dei um
soco na cara dele.
- Você quer se vingar? Ora, mas porquê? Você ter estuprado
ela não é o suficiente?
- Eu não estuprei, ela estava bêbada e nós transamos.
- Ah não? Então o que é isso?
Tirei meu celular do bolso, abri a galeria de vídeos,
agachei e coloquei o vídeo nos olhos dele. Era Rogério estuprando a Ana e um
amigo dele rindo da cena, pedindo pra tentar fazer um sexo anal porquê era mais
gostoso.
- Isso é montagem.... – Ele tentou argumentar.
- Rogério, você tem sido um menino mal. – Me levantei e deixei o celular em cima do balcão.
- Rogério, você tem sido um menino mal. – Me levantei e deixei o celular em cima do balcão.
- Por favor, eu prometo nunca mais fazer. – Dava pra sentir
o tom de desaforo lançado sob mim.
- Você não vai mesmo meu jovem e nunca mais.
Abaixei suas calças, ele estava de cueca branca, o que dava
pra fazer certinho o que eu queria, com o cerrote nas mãos já ensanguentado,
comecei a contar histórias para ele.
- Eu quero Rogério que você imagine, um sexo bem gostoso,
numa noite fria, você amarrando uma mulher, ouvindo ela gemer alto e pedir por
mais. Quero que você sinta o sabor e cheiro do sexo.
Comecei a ver que em menos de dois minutos ele estava
excitado, passou pela minha cabeça um relance da minha infância, mas não me
deixei ser dominado pelo pensamento e aproximei o cerrote de seu rosto.
- Então você gosta de amarrar e forçar a fazer sexo?
Bruscamente desci com o cerrote até a cueca e comecei a
cortar seu pênis, com movimentos de vai e vem na horizontal com o cerrote, sentia
suas veias, músculos e tecidos se rompendo, até que senti que não havia mais
nada para cortar, Rogério gritava de dor, tentava olhar para baixo mas a única
coisa que conseguia ver era a poça de sangue se formava do lado dele, sua cueca
de branca, passou a ser vermelha.
- É uma pena eu não ter falado com a Ana sobre isso, talvez
ela quisesse me ajudar não é mesmo?
Coloquei o cerrote de volta ao balão e peguei a tesoura de
jardinagem, abri e fechei ela rapidamente para fazer barulho das laminas se cruzando,
aquele som, me arrepiava, era como uma sinfonia para os meus ouvidos, coloquei a ponta da tesoura em seu rosto e fui até sua
orelha.
- É aqui que você gosta que elas falem? Bem pertinho do seu
ouvido, igual fez com a Ana? Arrastando sua cabeça até perto da dela?
Abri a tesoura e lentamente fui fechando a tesoura com sua
orelha no meio dela, Rogério já quase não tinha voz para gritar, começou a
ficar pálido e rouco, ou seja, meu trabalho tinha que ser terminado logo.
- Você tá branco, acho que está passando mal, está se
sentindo bem? Quer um copo d’agua? Não né, você nunca perguntou isso pra
nenhuma das meninas que você estuprou, ou se quer percebeu que Ana estava
desmaiada e inconsciente quando enfiou suas partes nojentas dentro dela. Você
não quis saber se ela estava bem, e posso te dizer, eu também não quero saber.
Enfiei a tesoura fechada em sua garganta até sentir que a
ponta havia chegado no balcão de madeira e atravessado todo sua pele e osso da
nuca. A cabeça de Rogério ficou intacta como se fosse um daqueles animais
empalhados na parede. Senti que não tinha mais respiração, então, meu trabalho
havia sido concluído.
Abri a porta da garagem, entrei dentro da casa. Havia se
formado um lago de sangue no tapete da sala onde Diego estava morto. Enrolei-o
no tapete e fui arrastando pelas suas pernas até a garagem, eu precisava limpar
o cenário.
Com querosene, joguei sobre Diego e Rogério, por um instante
senti pena de Diego, talvez fosse um bom moço, mas eu não poderia correr o
risco de ter alguém sabendo sobre o meu verdadeiro eu, retirei as luvas das
minhas mãos, coloquei sob os corpos.
Procurei algo que fizesse pegar fogo e achei um isqueiro
velho quase sem gás no chão da garagem. Acendi uma faísca e joguei sobre eles,
no mesmo instante subiu uma chama, seria rápido o processo de deterioração do
corpo.
Sai da garagem, fechei a porta e vasculhei se não havia
esquecido nenhum detalhe pelo lado de fora, entrei na casa, fui até o quarto,
peguei os equipamentos que sobraram na cama e guardei na cozinha. Na sala havia
alguns pingos de sangue, mas isso seria bom para a emergência, peguei meu
celular e liguei para os bombeiros.
- Oi, aqui na rua nove de novembro está tendo um incêndio,
parece que eu ouvi algumas pessoas gritando.
- Senhor fique onde está.
- Senhor fique onde está.
- Venha rápido.
Desliguei o celular, tirei o chip onde estava o número do
meu celular. Apenas com a carcaça do celular, joguei no chão e pisei em cima.
Deu pra ouvir o barulho dos cacos de vidro pingando como chuva no chão, abri a
porta da garagem e joguei o chip de celular no fogo que já estava bem alto.
Sai da casa silenciosamente, atravessei até o outro lado da
rua, debaixo de uma árvore, em menos de um minuto a vizinhança saiu para fora,
vendo a fumaça invadir o céu e o cheiro de queimado dominar no ar. Foi por
pouco, mais alguns minutos e eu tinha sido pego, tenho que tomar mais cuidado.
Dei um sorriso, me virei de costas e sai caminhando. Ella tinha uma casa muito
bonita, pena que vai ser desvalorizada agora.
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